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Sem bolsa, sem passagem e com ameaças: a realidade cruel dos estagiários da educação em São Luís

Athenas Maranhense Por Athenas Maranhense
12 de dezembro de 2025
in Educação, Notícias
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Sem bolsa, sem passagem e com ameaças: a realidade cruel dos estagiários da educação em São Luís

A educação pública de São Luís continua dependendo diariamente da força e da coragem de jovens estagiários que, com dedicação e sacrifício pessoal, mantêm vivas as rotinas das escolas municipais. Esses estudantes universitários, muitos da periferia, equilibram estudos, dificuldades financeiras e longos deslocamentos para garantir que as crianças da rede tenham o mínimo de acompanhamento pedagógico que a estrutura da Prefeitura não oferece. No entanto, o que deveria ser uma experiência formativa se transformou em um cenário de angústia, injustiça e desrespeito. Mais uma vez, a bolsa mensal está atrasada, sem previsão de pagamento e sem qualquer explicação clara por parte da Secretaria Municipal de Educação.

O que se vê é uma coletânea de relatos dolorosos sobre endividamento, desespero e humilhação. Nos grupos de mensagens dos estagiários, as falas são uníssonas. São jovens que não têm dinheiro sequer para a passagem de ônibus, que tentam manter a rotina mesmo sem garantia de que terão o mínimo para voltar para casa. A cada nova mensagem, a precariedade se revela em toda sua dimensão. O atraso da bolsa não é apenas um inconveniente, é um ataque direto à sobrevivência de estudantes que dependem desse valor para tudo, desde deslocamento até alimentação.

E diante desse cenário dramático, surge um novo elemento ainda mais revoltante. Um comunicado de uma gestora enviado a um grupo de estagiários afirma, de forma técnica e fria, que continuará registrando as ausências dos estudantes que não comparecerem ao estágio, porque, segundo sua interpretação, o atraso só se caracteriza formalmente após trinta dias sem pagamento. Em outras palavras, enquanto a Prefeitura atrasa deliberadamente a bolsa, enquanto jovens não têm dinheiro para pegar um ônibus, enquanto estagiários vivem angústia e insegurança, a gestão escolar reforça que vai registrar falta como se a ausência fosse uma escolha pessoal e não consequência direta do descaso da SEMED.

É uma cena cruel. Estagiários sem dinheiro para chegar na escola e gestores pressionados pelo sistema sendo orientados a registrar faltas, como se esses estudantes não estivessem sendo vítimas de uma falha administrativa da Prefeitura. A mensagem demonstra o tamanho da desconexão entre a realidade e a burocracia que sustenta a atual gestão da educação municipal. A Prefeitura não paga, os estudantes não têm recursos financeiros, mas mesmo assim são penalizados com faltas e advertências. Uma lógica perversa que empurra jovens universitários para a humilhação e para o medo.

Para entender por que isso é ainda mais grave, é preciso lembrar a função desses estagiários. O programa de estágio da SEMED deveria ser uma experiência supervisionada, com foco no apoio pedagógico. O que se vê, porém, é desvio de função em larga escala. Estagiários assumem turmas inteiras, substituem professores, mediam conflitos, aplicam atividades e realizam tarefas administrativas. São tratados como trabalhadores efetivos, porém sem direitos, sem salários e sem proteção. A Prefeitura se beneficia de seu trabalho, mas quando chega a hora de assumir sua responsabilidade, vira o rosto.

E o problema se agrava porque, segundo informações repassadas pelo próprio IEL, a instituição responsável pelo repasse, o pagamento não foi realizado porque a Prefeitura não enviou o recurso. Ou seja, o culpado é claro, direto e inequívoco. A SEMED não pagou, o IEL não pôde repassar, e os estagiários ficaram à própria sorte. A responsabilidade é da gestão municipal, e não há argumento capaz de transferir essa culpa para outra instância. É o dinheiro público que não foi movimentado, é a obrigação da Prefeitura que não foi cumprida.

E aqui entra o silêncio mais incômodo, o silêncio da gestão Eduardo Braide. Não há nota oficial, não há calendário de pagamento, não há previsão. Não há sequer a humildade política de admitir o problema e dialogar com os estudantes afetados. A Prefeitura opta pelo silêncio enquanto centenas de jovens sofrem, passam necessidade e são expostos ao constrangimento de não ter sequer o valor da passagem.

O atraso da bolsa em dezembro agrava ainda mais a situação. Este é o mês em que as famílias mais precisam de recursos. Os estagiários não têm décimo terceiro, muitos sustentam filhos, muitos ajudam nas despesas de casa. E mesmo assim, são deixados de lado, como se suas vidas fossem uma variável secundária na equação administrativa da Prefeitura. A indignação cresce porque a sensação é de abandono absoluto.

O mais revoltante é observar que, mesmo sabendo de tudo isso, algumas gestoras, pressionadas pela SEMED e pelo receio de serem responsabilizadas, informam que vão continuar registrando falta dos estagiários. Essa postura expõe uma perversidade institucional. O estudante não tem condições de ir trabalhar porque a própria gestão pública não paga o que deve, mas ainda assim será punido. Uma punição injusta, desumana e desconectada da realidade concreta de jovens que já estão emocionalmente esgotados.

 

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Os estagiários, mesmo diante da desinformação e do abandono, continuam tentando resistir. Organizam abaixo assinados, expõem nas redes sociais, cobram respostas do IEL e da SEMED, e tentam construir alguma forma de unidade para enfrentar uma estrutura que insiste em ignorá los. A ausência de transparência aumenta ainda mais a sensação de desamparo. Parte dos estudantes afirma que algumas pessoas receberam informações internas da SEMED e que reuniões foram realizadas, mas essas informações não foram repassadas a todos. Essa comunicação seletiva aumenta o ruído, aprofunda o desalento e reforça a percepção de que existe uma gestão dividida entre os que têm acesso às informações e os que são deixados no escuro.

É preciso que a cidade saiba o que acontece dentro das escolas. É preciso revelar que a educação municipal depende do trabalho precarizado de estagiários explorados. É preciso dizer claramente que o prefeito Eduardo Braide tem responsabilidade direta sobre o sofrimento desses jovens, sobre a falta de pagamento, sobre o desvio de função e agora também sobre as faltas injustas registradas quando o estudante não tem nem mesmo o valor da passagem.

A crise das bolsas não é um acidente administrativo, é um sintoma da falta de planejamento, da falta de compromisso com a educação e da falta de respeito com a vida das pessoas. A Prefeitura escolheu não repassar, a SEMED escolheu não comunicar, o prefeito escolheu se calar. E enquanto essas escolhas políticas são feitas, centenas de jovens seguem sendo humilhados, penalizados e responsabilizados por um erro que não cometeram.

A cidade de São Luís precisa reagir. Porque a educação não pode ser construída à base de improviso, exploração e silêncio. E porque nenhum estudante deveria ser punido por não ter dinheiro de passagem quando a própria Prefeitura é a responsável por esse caos.

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