As autoridades investigam se um terremoto e o possível colapso de uma geleira contribuíram para a inundação que atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O fenômeno provocou uma enorme onda de lama, destruiu comunidades e deixou ao menos 98 mortos e mais de 800 desaparecidos.
O desastre ocorreu principalmente no distrito nepalês de Rasuwa e alcançou a região de Gyirong, no território chinês.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, um tremor foi registrado às 8h37, no horário local, antes da inundação. O USGS identificou o terremoto com magnitude 4,4 e profundidade estimada de 10 quilômetros.
A hipótese investigada pelas autoridades é de que o tremor tenha provocado um grande deslizamento de terra e gelo. O material teria bloqueado temporariamente o rio Bhotekoshi, formando uma espécie de represamento.
Com o rompimento desse bloqueio, uma grande quantidade de água e sedimentos teria avançado rapidamente pela região, atingindo áreas habitadas.
O geólogo Vikram Gupta, professor da Universidade de Sikkim, na Índia, também levantou a possibilidade de parte significativa de uma geleira ter desabado e contribuído para o fenômeno.
Imagens de satélite analisadas após o desastre mostram mudanças expressivas na paisagem. Áreas que antes apresentavam vegetação passaram a ser cobertas por lama, pedras e destroços.
Câmeras de segurança registraram o momento em que a enxurrada avançou sobre áreas habitadas, atingindo casas, pontes e veículos.
No lado chinês, o posto fronteiriço de Gyirong foi afetado. O governo da China determinou o reforço das operações de emergência, com prioridade para a retirada de pessoas de áreas de risco e o atendimento aos feridos.
Enquanto especialistas investigam a origem do fenômeno, equipes de resgate permanecem mobilizadas para localizar desaparecidos e avaliar os danos provocados pela combinação de inundação e deslizamentos.














