A mobilização em torno do desaparecimento de duas crianças em Bacabal ganhou ainda mais força nos últimos dias. Desde o último domingo (4), centenas de moradores da região passaram a integrar, de forma voluntária, as equipes que atuam ao lado das forças de segurança nas buscas por Ágatha Isabele, de 5 anos, e Alan Michael, de 4, que seguem desaparecidos.
A operação reúne mais de 200 agentes, entre policiais militares, bombeiros e integrantes de forças especiais, e conta com o apoio direto da população local, que tem sido fundamental para ampliar o alcance das buscas em áreas de difícil acesso.
Moradores de povoados vizinhos se deslocam diariamente até as bases de apoio montadas pela prefeitura para ajudar nos trabalhos. Grupos chegam de localidades a até 40 quilômetros de distância, motivados pela esperança de encontrar as crianças com vida.
“Quem é pai ou mãe se coloca no lugar da família. A gente não podia ficar parado”, relatou um dos voluntários que deixou o trabalho para participar das buscas. Outros reforçam a fé e a solidariedade como combustível para enfrentar longas horas em meio à mata fechada.
O apoio de moradores mais antigos tem sido decisivo. Pessoas que conhecem trilhas, caminhos antigos e estradas pouco usadas têm orientado as equipes, permitindo a abertura de novos perímetros de varredura, incluindo acessos que ligam comunidades como o Quilombo São Sebastião dos Pretos e o Povoado Santa Rosa.
O desaparecimento ganhou ainda mais atenção após o resgate de Anderson Kauan, de 8 anos, encontrado por produtores rurais em uma estrada próxima ao rio Mearim. O menino segue internado em observação médica. Desde então, moradores com embarcações passaram a percorrer trechos do rio em busca de qualquer indício que ajude a localizar os irmãos desaparecidos.
Para garantir suporte às equipes, duas bases operacionais foram montadas no município. Os trabalhos acontecem em sistema de revezamento, funcionando 24 horas por dia, com apoio logístico, alimentação e coordenação das equipes em campo.
As buscas se concentram em uma área estimada em cerca de 15 km², caracterizada por vegetação densa, pastagens e açudes. O terreno é considerado irregular, com poucas trilhas, ausência de energia elétrica e riscos adicionais, como armadilhas de caça, presença de serpentes e grande quantidade de insetos e animais silvestres.
A operação também conta com o uso de helicópteros do Centro Tático Aéreo (CTA), que transportam equipes especializadas para áreas de mata fechada. Policiais do Comando de Operações Especiais e do Batalhão de Choque atuam nos pontos mais críticos.
Além disso, drones equipados com câmeras térmicas estão sendo utilizados para tentar identificar sinais de calor humano em regiões de difícil acesso. Segundo o comando da Polícia Militar, as equipes seguem avançando em direções opostas ao ponto onde o menino de 8 anos foi encontrado, ampliando o raio das buscas.
Enquanto o trabalho continua, a união entre forças de segurança e comunidade mantém viva a esperança de um desfecho positivo para o caso que comove Bacabal e todo o Maranhão.













