O El Niño pode estar caminhando para um dos episódios mais intensos das últimas décadas. Uma atualização divulgada pela NOAA indica que o fenômeno tem mais de 90% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte nos próximos meses, enquanto a possibilidade de um evento de nível histórico chega a 69%.
A estimativa considera o período entre outubro e dezembro de 2026, quando há possibilidade de o índice RONI ultrapassar +2,5°C. O indicador é utilizado para acompanhar a intensidade do fenômeno a partir das temperaturas registradas no Pacífico.
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial apresentam aquecimento anormal. A mudança altera a circulação da atmosfera e pode provocar consequências no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. O Sul pode registrar maior frequência de chuvas, enquanto áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem enfrentar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade nas precipitações.
O cenário preocupa principalmente pelo potencial impacto sobre a umidade do solo e da vegetação. A combinação de calor persistente, baixa umidade e longos períodos sem chuva pode aumentar a vulnerabilidade de determinadas áreas às queimadas.
A meteorologista Andrea Ramos aponta que o período entre agosto e outubro merece atenção especial no Brasil Central, no Cerrado e no sul da Amazônia. Entre os estados que devem ser acompanhados estão Maranhão, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Amazonas, Goiás, Rondônia e Mato Grosso do Sul.
A especialista ressalta, porém, que a presença de um El Niño muito intenso não significa automaticamente que o país terá uma temporada recorde de incêndios. O comportamento do fogo também depende da umidade do solo, da vegetação seca, da duração da estiagem, do uso do território e das medidas de prevenção.
Outro fator decisivo será o retorno das chuvas durante a primavera. Se as precipitações demorarem a se estabelecer ou ocorrerem de maneira irregular, o período de maior risco de incêndios poderá ser prolongado.
Mesmo diante da previsão de forte intensidade, os especialistas reforçam que os impactos do El Niño não são garantidos. O fenômeno aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos, mas as condições observadas em cada região dependem da interação de diversos fatores meteorológicos e oceânicos.














