Dados recentes revelam um cenário preocupante no Maranhão: mais de 12 mil meninas de até 13 anos podem ter engravidado ao longo de uma década. A estimativa é de um estudo da Fiocruz, que também aponta falhas nos registros de violência sexual e desafios no acesso a serviços de saúde.
De acordo com a pesquisa, baseada em bancos de dados oficiais, o número de gestações registradas (4.839) é bem inferior à projeção real. A diferença ocorre porque muitos casos iniciados aos 13 anos só são concluídos após os 14, o que acaba mascarando a dimensão do problema nas estatísticas tradicionais.
Outro dado que chama atenção é a baixa correspondência entre gravidez e notificações de estupro. Embora tenham sido registrados 1.410 casos de violência sexual no período, esse número cobre apenas uma parcela das gestações, sugerindo que muitos episódios não chegam ao sistema oficial.
O estudo também evidencia impactos diretos na saúde das jovens e dos bebês. As taxas de prematuridade e baixo peso ao nascer são mais altas entre meninas de até 13 anos, além de índices maiores de mortalidade fetal, neonatal e materna.
As diferenças entre regiões do estado reforçam a influência de desigualdades sociais e da dificuldade de acesso à rede de saúde. Em algumas áreas, há mais casos de gravidez infantil combinados com menor número de notificações de violência.
Os pesquisadores também destacam entraves no acesso ao aborto previsto em lei. O número de procedimentos realizados é inferior ao esperado, o que pode estar relacionado à limitação de serviços especializados e à dependência de autorização de responsáveis legais.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenção da violência, ampliação do acesso à saúde e proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.














