Envelhecer com qualidade de vida vai muito além dos cuidados com a saúde física. Significa também manter vínculos, participar da comunidade, aprender, compartilhar experiências e ter autonomia para viver essa etapa da vida com dignidade. Em um cenário de envelhecimento da população, iniciativas que valorizam a pessoa idosa e combatem o isolamento social ganham cada vez mais importância. É com esse propósito que o Instituto Cresça desenvolve o projeto Território da Inclusão, nos povoados Bahia e Marengo, em Santa Rita no Maranhão.
O projeto pretende atender pessoas idosas com 60 anos ou mais durante três meses, oferecendo atividades educativas, culturais, tecnológicas e de lazer voltadas para o envelhecimento ativo e para o fortalecimento da autonomia.
Segundo o coordenador do Instituto Cresça, Raimundo Muniz, o projeto busca enfrentar um dos principais desafios associados ao envelhecimento: o isolamento social. “A iniciativa pretende criar um ambiente de convivência, acolhimento e troca de experiências, no qual os participantes possam fortalecer vínculos, desenvolver novas habilidades e exercer um papel ativo na comunidade. Ao todo atenderemos 70 idosos sendo 35 em Santa Rita e 35 em Marengo”, explicou Raimundo Muniz.
A proposta parte de uma realidade que ganha cada vez mais relevância no Maranhão e no Brasil: o crescimento da população com 60 anos ou mais. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para o avanço do envelhecimento demográfico no país. No Maranhão, que registrava 6.776.699 habitantes no levantamento, o aumento da população idosa também reforça a necessidade de políticas e iniciativas que assegurem qualidade de vida, participação social e direitos na terceira idade.
Raimundo Muniz ressaltou que, mais do que oferecer atividades de lazer, o Território da Inclusão tem como proposta estimular o protagonismo dos idosos. “A iniciativa parte do entendimento de que envelhecer não significa perder capacidade, autonomia ou relevância social. Ao contrário, conhecimentos, histórias e experiências acumuladas ao longo da vida são reconhecidos como elementos importantes para a construção coletiva”, explicou o idealizador do projeto.
Entre as ações previstas estão atividades voltadas ao acolhimento, à escuta e ao fortalecimento da autonomia tecnológica. O projeto pretende estimular o autoconhecimento, a criação de redes de apoio e o desenvolvimento de estratégias para enfrentar dificuldades do cotidiano. A inclusão social de pessoas em situação de vulnerabilidade está entre os objetivos centrais da iniciativa.
De acordo com o coordenador, o projeto também prevê visitas domiciliares realizadas por profissionais de fisioterapia, biomédicinam psicologia e serviço social, com atendimento aos participantes e seus familiares. “A proposta é ampliar o acompanhamento para além do espaço das atividades, considerando também a realidade familiar e comunitária de cada pessoa atendida”, detalhou Muniz.
Os cuidados relacionados à saúde também integram a programação, com ações previstas aos sábados. A iniciativa busca trabalhar a pessoa idosa de maneira integral, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também as dimensões mental, social e afetiva. “Para mim está sendo muito importante participar deste projeto no qual a gente traz a promoção de saúde e atendimento a comunidade. Somos uma equipe que faz este atendimento multidisciplinar que identifica a necessidade de cada idoso. Após o diagnóstico fazemos o direcionamento caso sejam hipertensos ou diabéticos para as unidades hospitalares, além de fazemos toda uma orientação como cuidar da saúde”, detalhou a fisioterapeuta Dalvilene Alves.
Com o Território da Inclusão, o Instituto Cresça amplia essa trajetória ao propor um espaço dedicado à convivência, ao cuidado e ao reconhecimento da pessoa idosa como protagonista. Ao colocar a pessoa idosa no centro das ações, o projeto reforça a importância de compreender o envelhecimento como uma etapa da vida que pode ser marcada por participação, aprendizado, autonomia e protagonismo social.
Sobre o Instituto Cresça
Criado em 1985, o instituto tem atuação voltada à execução, continuidade e ampliação de projetos sociais em municípios do Maranhão e em outras regiões do Norte e Nordeste.
Entre as experiências desenvolvidas pela instituição está o projeto “Remédios e Comidas de Encantados e Voduns”, realizado em 2003 e 2004 em três comunidades quilombolas. A iniciativa envolveu pessoas idosas reconhecidas como mestres dos saberes e fazeres e buscou valorizar conhecimentos ancestrais afro-brasileiros relacionados às tradições dos territórios de Santa Rita.
Em 2010, o Instituto Cresça desenvolveu ainda a iniciativa “Bancada de Arrambã”, voltada para mulheres idosas, nochês e chefes de casas de culto Mina Jeje de Santa Rita. O projeto recebeu os prêmios Ponto de Cultura e Saúde e Ponto de Memória, do Ministério da Cultura, contribuindo para a criação do Museu Comunitário do Quilombo Sítio do Meio.













