O Maranhão entra no calendário nacional de mobilizações do Julho das Pretas com uma programação diversa que reforça a luta das mulheres negras por igualdade racial, justiça social e reconhecimento histórico. As atividades acontecem principalmente em São Luís e reúnem movimentos sociais, coletivos, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
A iniciativa marca o 25 de julho, data que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e homenageia a líder quilombola Teresa de Benguela, símbolo de resistência e organização política do povo negro no Brasil.
Um dos principais momentos da programação é a Marcha das Mulheres Negras, que deve percorrer o Centro Histórico de São Luís, reunindo participantes em um ato de visibilidade e reivindicação de direitos. Mais do que um ato simbólico, a marcha busca chamar atenção para desigualdades persistentes que afetam diretamente as mulheres negras, como dificuldades de acesso à saúde, educação, mercado de trabalho e participação política.
A mobilização integra a campanha nacional Julho das Pretas, que em 2026 chega à 14ª edição com o tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”, destacando a necessidade de políticas públicas voltadas à equidade racial.
Além da marcha, a programação inclui uma feira multicultural de afroempreendedorismo, com exposição e comercialização de produtos ligados à cultura afro-brasileira. A iniciativa também busca valorizar a trajetória histórica das mulheres negras como pioneiras em atividades comerciais e na economia popular.
Rodas de conversa, debates e atividades formativas completam a agenda, abordando temas como racismo estrutural, direitos sociais e o conceito de “bem viver”. O evento também abre espaço para manifestações artísticas, com destaque para o chamamento de criadores para o Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão.
Um dos eixos centrais das discussões neste ano é a reparação histórica, entendida não apenas como compensação material, mas como um conjunto de ações que garantam dignidade e igualdade de oportunidades. Entre os pontos defendidos estão o acesso ampliado à educação, saúde, moradia, saneamento, trabalho e valorização da cultura e da ancestralidade negra.
Especialistas e lideranças destacam que a data é também um momento de reflexão coletiva sobre o legado da escravidão e suas consequências na sociedade contemporânea, reforçando a necessidade de políticas públicas estruturantes.
A escolha de Teresa de Benguela como referência histórica reforça o papel das mulheres negras como protagonistas de processos de resistência. Líder do Quilombo do Quariterê no século XVIII, ela organizou estratégias de defesa, produção e articulação política contra o sistema escravista, tornando-se símbolo de liderança feminina negra.
Hoje, sua trajetória segue inspirando novas gerações na luta por equidade e reconhecimento. No Maranhão, o Julho das Pretas reafirma esse legado ao promover espaços de debate, cultura e mobilização social, fortalecendo a pauta antirracista e o protagonismo das mulheres negras na construção de uma sociedade mais justa.













